Diversas espécies marinhas são carregadas ao longo do mundo pela água de lastro transportada por navios, que quando deslastrada, libera organismos que podem tornar-se invasores, quebrando o equilíbrio ecológico nativo, podendo causar doenças e até a morte em seres humanos. Atualmente existem centenas de exemplos de impactos oriundos de espécies invasoras transportadas pela água de lastro de navios.

Por causa disto, os Países-Membros da IMO estão desenvolvendo uma nova Convenção Internacional para padronizar um regulamento global sobre o gerenciamento de água de lastro. As negociações estão em estágio avançado e espera-se que a Convenção seja adotada e aprovada em 2003. Extensas discussões técnicas tem sido levantadas com relação aos métodos de tratamento de água de lastro, que são vários.

O porto de Rio Grande localiza-se na margem Oeste do canal que liga a Lagoa dos Patos ao Oceano Atlântico, sendo considerado uma região ecologicamente sensível, em função da sua importância para a indústria pesqueira, para espécies migratórias, para o lazer humano e para a navegação, razão pela qual foi o objeto de nosso estudo. Procuramos definir o porto sob o aspecto de ser predominantemente receptor, doador ou neutro de água de lastro, através de pesquisa e levantamento de informações, utilizando-se de 338 questionários da IMO preparado pela Capitania dos Portos Estado do Rio Grande do Sul e aplicados através de visitas abordo dos navios, e de 1.310 questionários preparados e aplicados pela empresa Práticos da Barra do Rio Grande Ltda., em diversas classes representativas de navios que visitam o porto.

Após análise gráfica dos resultados, constatou-se que o porto do Rio Grande é um conspícuo RECEPTOR de água de lastro. As principais classes de navios que contribuiram para o aporte de água de lastro são os navios de grãos, os porta-cavacos, os de óleo de soja e os "multipurpose".

Aproximadamente a terça parte dos navios que descarregaram água de lastro no porto de Rio Grande, o fizeram diretamente, sem o uso de nenhum método de tratamento recomendado pela IMO. Cerca de um décimo dos navios que descarregaram lastro são oriundos de portos asiáticos.