1) Estive visitando seu site para fazer um trabalho, mas fiquei com duas dúvidas e gostaria que você às tirasse para mim...as dúvidas são: 
1- O que difere o grupo das bactérias do grupo das cianobactérias se ambos são seres microscópicos, unicelulares e procariontes?


A diferença principal está no aparelho fotossintético das cianobactérias que realiza fotossintese igual a uma planta superior, como as plantas de jardins. Este aparelho possue dois fotossistemas não compartmentalizados em cloroplastos como na célula das plantas, mas as suas vias e ciclos de excitação dos pigmentos pela luz e consequente utilização desta energia para síntese de carbohidratos (açúcares) é idêntico. A maioria das bactérias não fotosintetizam e sim vivem em heterotrofia, isto é alimentando-se de matéria liberada ou produzida pelos outros organismos. As bactérias, mesmo as pigmentadas como a sulfurosa Cromatium, absorvem luz e sintetizam açúcares, mas o processo é diverso das plantas.


2- Se todas as algas são autótrofas por que não podemos colocar no mesmo reino as algas azuis e as demais algas?

Pois é, acontece que para os botânicos as cianobactérias ( ou algas azuis) ainda fazem parte do Reino Vegetal e há uma grande parcela de razão nisto. Para os microbiologistas (ou bacteriologistas) elas se classificam como as eubactérias, tem estrutura química de algas (~ plantas) mas divisão celular e crescimento não tecidual as fazem idênticas às remotas bactérias (archaebactéria)...


3- Gostaria que comentasse sobre a má utização dos recursos de água da Terra já que mais de 2/3 estão nos oceanos praticamente intocados?

Pois é, se 97,3 % da água do planeta está nos Oceanos, 2% nas calotas polares e no vapor d'á gua da atmosfera, isto é inacessíveis; 0,7% restantes estão nos rios, lagos e aquíferos e daí tiramos nosso abastecimento. A projeção do aumento das unidades de dessanilização da água marinha é insignificante levando em conta a necessidade de água potável das populações. Ainda o custo energético é muito alto. No Brasil temos 20% da água potável disponível na terra e temos utilizado muito pouco da água subterrânea ou da dessalinização. Estamos em processo de esgotamento da qualidade de águas disponíveis próximas aos Centros Urbanos, por falta de volumes de água, devido a altitude destas grandes cidades no topo de serras e montanhas como São Paulo e Curitiba ou pela contaminação lançadas nestas águas pelas diversas atividades humanas provenientes destas metropóles urbanas.


4- Se existe uma tendência a que todas as florações de cianobactérias nos mananciais que abastecem as cidades sejam nocivas, como que as cidades podem adaptar-se a esta demanda de prováveis crises de abastecimento futuras?

A princípio, o mau uso da água tratada nas grandes, médias e pequenas cidades brasileiras é uniforme e desproporcional. Mais de 47% é utilizado na descarga de vasos sanitários, 37% no banho e lavagem na cozinha e sómente 6% é utilizado para cozinhar e 5% para beber. O restante fica dividido em 4% para a lavagem de roupas, 3% na limpeza da casa, 3% na irrigação e os 1% finais na lavagem de veículos e outras atividades. Fica evidente assim que desssas atividades, sómente 11% requerem o padrão da água potável fornecida pelas ETAs. Se uma das origem dos problemas das florações está no excessiva volume acumulado de água nos mananciais de barragens (que impedem a circulação das águas), uma possível menor necessidade da oferta de volumes de água no padrão de potabilidade pode ser uma solução administrável dentro do difícil panorama do gerenciamento dos mananciais.


5) Prezado Professor e Doutor:

É com muita honra que entro em contato com V. Sa. para comunicar que estou, voluntariamente, buscando encontrar o que está causando a degradação acelerada do nosso meio ambiente e, principalmente, o que está provocando o mau rendimento das nossas estações de tratamento de esgoto que já estão em funcionamento (excesso de lodo formado).
Agradeço ao FURG que disponibiliza ao público em geral as informações sobre as Cianobactérias.
Gostaria de colocar temas sobre micro-organismos para serem analisados pelos Biólogos no sentido de aproveitar a sua potencialidade natural para melhorar o meio ambiente aquático.
Solicitando este canal aberto para que possamos discutir este e outros assuntos correlatos de extrema importância para a humanidade, despeço-me.


Sds. Massao Okazaki Eng. Civil
Volunt. Sócio-Ambiental - Jundiaí/SPMuito obrigado pela rápida atenção ao meu e-mail.
Esclarecendo: atuo como eng. civil autônomo na área de projetos estruturais de concreto armado de pequenas e médias construções residenciais e comerciais e no acompanhamento das mesmas. No momento, estou me dedicando, voluntariamente e exclusivamente, na questão sócio-ambiental, procurando tentar encontrar uma forma mais fácil de resolver questão social e ambiental simultaneamente.
Não estou vinculado a nenhuma ONG ou empresa pública ou particular, estou apenas, como cidadão brasileiro, tentando cumprir o que rege a nossa constituição na questão do meio ambiente.
Evidentemente, como eng. civil não posso opinar sobre biologia mas, posso pedir aos biólogos e outros profissionais de outras áreas que analisem e opinem sobre os pontos por mim abordados. 
Conto com a colaboração de V.Sa. e de sua equipe. Me coloco a disposição de V.Sa. para prestar mais esclarecimento a respeito dos meus objetivos.
Caso o(s) ponto(s) por mim apontado(s) mereça(m) um estudo mais aprofundado como, por exemplo, tese de mestrado ou doutorado, fique totalmente a vontade para indicar a um acadêmico ou a um profissional já formado que desenvolva-a, mencionando ou não o meu nome. Ficarei muito honrado no caso da primeira hipótese. Poderia até mesmo colaborar, a distância, via internet, no desenvolvimento do mesmo.


Nitrogênio Atmosférico:
A questão que levanto a V.Sa. é a seguinte: não estaria o Nitrogênio atmosférico sendo fixado pelas bactérias e algas azuis, dentro da tubulação, no contato com ar e, principalmente, no processo de aeração e decantação das ETEs, aumentando assim a população de micro-organismos nitrogenados acarretando assim o aumento de lodo? 
Caso se confirme esta hipótese tenho uma solução a apresentar e será tema do próximo e-mail.

Fenômeno Físico-Químico-Biológico em Lodo (Lama) de Fundo de Represas: 
Gostaria de saber se já existe algum estudo a respeito do que relato a seguir:
Fui verificar a profundidade deste pequeno lago (ver fotos anexas) que estava submerso com uma vara de bambu e percebi que começou a emergir bolhas de gases.
A segunda foto mostra bem claro que, cutucando mais forte o fundo, emerge uma enorme (bolha) massa mais leve que a água.
Qual o fenômeno que estaria ocorrendo ali? Repeti o experimento em outros lagos eutrofizados e constatei o mesmo fenômeno.
São estas as colocações que gostaria que fossem analisadas.

SDS Massao

6) Caro Prof. João


Eu sou biólogo marinho e tenho trabalhado no agronegócio do cultivo de camarões marinhos no nordeste brasileiro. Esta atividade está em franca expansão e muitas novidades nos surge dia a dia. Atualmente estou querendo algumas infomações sobre uma espécie de alga cianofícia que surgiu em uma fazenda de camarão de um amigo meu aqui do Rio Grande do Norte.
Este organismo, quando surge durante o período de cultivo, coloca sabor desagradável de terra na carne dos camarões. Em conversa pessoal com o Prof Alfredo da Ufrpe, o mesmo me disse que acha que esta microalga trata-se de uma espécie chamada Hchayoyo sp. (Cianobactéria). Andei pesquisando em vários livros
sobre o assunto e não encontrei nada que pudesse me dar maiores informações sobre essa espécie. Se o amigo puder me dar alguma informação sobre a dita cuja eu ficarei bastante agradecido. Também gostaria de receber alguma informação sobre meios preventivos de combate ao
surgimento de cianofíceas em viveiros de camarões, como também modelos de combate quando o problema surgir.
Preciso de material bilbliográfico sobre o assunto.
Estarei a disposição do amigo para eventuais discussões sobre este e outros assuntos sobre o cultivo de camarões aqui no nordeste. Um grande abraço para você, e sucesso neste ano que iniciamos.

Marcelo Lima Santos.