A origem de todos os seres

Há 3,6 bilhões de anos apareceram as primeiras formas de "vida" em nosso planeta. Supõe-se, hoje, que as primeiras manifestações de vida, semelhantes a micro-esferas, teriam surgido a partir de reações bioquímicas energizadas por radiações solares, descargas elétricas e calor. Essas micro-esferas cresciam mas não se reproduziam regularmente, sendo assim, não as consideramos formas de vida plena.

A partir do aparecimento de um sistema genético para garantir o processo da reprodução e da conseqüente síntese de proteínas, as micro-esferas evoluíram até as bactérias primitivas que se alimentavam de uma "sopa orgânica" de moléculas disponíveis naquele ambiente. Como não havia oxigênio livre, a respiração não acontecia como nos organismos modernos.

Nessa seqüência evolutiva, apareceram as cianobactérias primitivas que passaram a utilizar a luz como fonte de energia (fotossíntese), visto que fósseis de 3.5 bilhões de anos foram encontrados na África do Sul e na Austrália. Essas cianobactérias dispunham de pigmentos (Clorofila) que as protegiam da radiação ultravioleta e geravam energia quando expostas aos raios solares.

A fotossíntese realizada pelas cianobactérias primitivas, ainda não liberava o oxigênio livre, porque nessa época só utilizavam o hidrogênio disponível na atmosfera. Há 2.5 bilhões de anos, o hidrogênio começou a ficar escasso, porque se evaporou para o espaço.

Para enfrentar essa transformação, as cianobactérias evoluíram e começaram a utilizar o hidrogênio da água, produzindo, a partir desta reação, o oxigênio que hoje temos em nossa atmosfera.

As cianobactérias começaram efetivamente a produzir oxigênio livre para a atmosfera entre 2.5 e 2.0 bilhões de anos atrás. As bactérias primitivas que não utilizavam o oxigênio em sua respiração, tornaram-se menos comuns e ficaram confinadas em ambientes anaeróbicos.

As cianobactérias, remanescentes das cianobactérias primitivas, apesar de possuírem estruturas de bactérias, também são conhecidas como algas cianofíceas, algas azuis ou "blue-green algae".

As algas azuis, existem até hoje e podem se apresentar como simples células isoladas, em filamentos ou colônias. Habitam os oceanos, águas doces ou salobras, a terra, o ar e, associadas a fungos formam os líquens.

Atualmente, algumas cianobactérias são utilizadas na alimentação humana e na agricultura como fertilizantes, sendo que algumas espécies são tóxicas para seres humanos e animais.

As cianobactérias unicelulares, apresentam um tamanho que varia de 1 a l0mm (micrômetros), e as filamentosas ou coloniais, apresentam tamanhos que chegam até 200mm (micrômetros), portanto, são microscópicas (micrômetro = 1/1000 mm). Apresentam pigmentos que absorvem a energia solar e realizam a fotossíntese. São as clorofilas A, ficobilinas, ficocianinas, ficoeritrinas e carotenóides.


Painel organizado pelo oceanólogo Lauro Barcellos em colaboração com a Unidade de Pesquisas em Cianobactérias da FURG.
O Museu Oceanográfico localiza-se na região central da cidade de Rio Grande e abre diariamente durante todo o ano das 8:00 as 17:00hs.