A proliferação de cianobactérias em rios, lagos e reservatórios representa um problema crescente em função da alteração da carga nutritiva que estes ambientes vem sofrendo ao longo do tempo. Ambientes eutróficos caracterizam-se basicamente por apresentarem elevada biomassa, mas reduzido número de espécies. Os problemas ambientais decorrentes das florações de cianobactérias são alterações na qualidade da água: gosto, sabor e cor e podem ser agravados pela produção de cianotoxinas. Sabe-se hoje que cerca de 50 a 75% das florações de cianobactérias que ocorrem são tóxicas (Codd, 2000).

As microcistinas (MC) estão entre as hepatotoxinas mais comumente produzidas por cianobactérias, encontradas principalmente nos gêneros MicrocystisAnabaenaPlanktothrixNostoc e Anabaenopsis. Atualmente são conhecidas mais de 60 variedades de microcistinas, que se diferenciam em função da variedade estrutural dos amino-ácidos, grau de metilação e isomeria (Chorus & Bartram, 1999). É bem provável que exista um maior número de variantes, pois os estudos que abordam a composição de microcistinas analisaram um pequeno número de cepas. Entretanto, o valor máximo aceitável de microcistinas de 1 µg.L-1, adotado pela Portaria 518 de 2004, do Ministério da Saúde, foi estipulado pela OMS com base na toxicidade da variante MC-LR, por ter sido esta a microcistina mais estudada nos trabalhos iniciais. Este valor foi determinado utilizando-se estudos de toxicidade da variante MC-LR em camundongos e porcos, estabelecendo-se o valor de 0,04 µg.Kg-1como a dose oral máxima diária aceitável (Chorus & Bartram, 1999).

Apesar da utilização da MC-LR como referência, estudos realizados no sul do Brasil têm evidenciado maior ocorrência da variante [D-Leu1]MC-LR, que apresenta características químicas e toxicológicas diferentes da variante MC-LR. Portanto, torna-se visível a necessidade de trabalhos com enfoque na variabilidade da composição de microcistinas que ocorram em florações no Brasil. Não se descarta, assim, a possibilidade de ocorrência de variedades com valores de toxicidades ainda maiores do que a MC-LR, a microcistina contemplada na legislação.